Logística pressiona preços na safra de soja
No Paraná, a safra recorde pressiona a infraestrutura
No Paraná, a safra recorde pressiona a infraestrutura - Foto: Divulgação
A colheita da soja avança de forma desigual pelo país, com reflexos distintos sobre preços, logística e renda do produtor neste início de safra. Segundo informações da TF Agroeconômica, o cenário desta semana combina perdas consolidadas no Sul, gargalos de escoamento no Centro-Oeste e estabilidade pontual em algumas praças.
No Rio Grande do Sul, a Emater/RS-Ascar oficializou o início da colheita, que alcança 2% da área cultivada. As chuvas recentes interromperam as perdas no Norte e Noroeste, mas Fronteira Oeste e Missões já registram quebras irreversíveis causadas pelo calor extremo. Essas perdas devem impactar a média estadual, embora parte possa ser compensada por recuperação em outras regiões. No interior, Ijuí, Cruz Alta e Passo Fundo operam a R$ 117,00, enquanto o porto de Rio Grande marca R$ 129,00, com leve recuo.
Em Santa Catarina, o mercado segue sustentado pela demanda das indústrias de proteínas animais, o que garante maior previsibilidade. A colheita avança sem pressão concentrada e os preços permanecem estáveis no interior. O porto de São Francisco do Sul registra R$ 130,00 por saca, com valorização no dia.
No Paraná, a safra recorde pressiona a infraestrutura. Relatos apontam silos lotados e filas na BR-277 rumo a Paranaguá, forçando recuos nas ofertas. Cascavel opera a R$ 116,00, enquanto Ponta Grossa registra queda mais acentuada.
No Mato Grosso do Sul, apenas 6,2% da área foi colhida. A projeção indica produção até 20,1% menor que a anterior. Em Dourados, a soja recua para R$ 111,00. Já no Mato Grosso, fretes acima de R$ 500 por tonelada comprometem a rentabilidade. Com preços ao redor de R$ 100 por saca e custos logísticos elevados, a margem do produtor fica praticamente anulada, mesmo diante de safra volumosa.